Desde 2014, nenhum senador conquistou selo máximo de excelência parlamentar

Por trás de toda cortina de fumaça que domina os movimentos partidários em torno dos possíveis presidenciáveis que almejam assumir o Palácio da Alvorada, em Brasília, por quatro anos, há, com maior intensidade, porém abstrata à percepção dos eleitores brasileiros menos atentos, um foco concentrado na nova composição do Senado Federal a partir de 01 de fevereiro de 2027. A Justiça Eleitoral estima que no dia 04 de outubro deste ano mais de 150 milhões de brasileiros devem participar do processo democrático e definir quem serão os 54 senadores a assumir mandato prévio de oito anos.


Estarão em jogo dois terços das cadeiras do Senado, o que eleva o peso estratégico da eleição. Alas com tendência centro-esquerda, avaliam que o Senado demonstrou ao longo dos últimos dez anos maior densidade ética na hora de apreciar e aprovar matérias de interesse popular se comparado à Câmara dos Deputados. Em contraponto, o bloco de direita e extrema direita avalia a corrida eleitoral deste ano como oportunidade de tramitar pautas sensíveis, como a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), anistia para sentenciados pelo movimento de 08 de janeiro de 2023, além da sabatina e aprovação de indicações feitas pelo presidente da República.

Em um terceiro plano, mais distante ainda da apreciação popular, está a ausência de senadores com selo de excelência parlamentar. Nos últimos doze anos, marcados por processo de impeachment aprovado pelo Congresso Nacional contra a ex-presidente Dilma Vana Rousseff e da prisão de todos os presidentes subsequentes, nenhum senador foi condecorado com o selo ‘Nota 10’. Avaliação, esta, resultante de uma pesquisa científica desenvolvida por profissionais da comunicação, juristas e docentes PhD com atuação em instituições superiores de ensino. A última nota máxima aconteceu em 2014 para um senador eleito em 2010 pelo estado de Sergipe.

Eduardo Alves do Amorim – antes PSC, hoje filiado ao Republicanos, é natural da cidade de Itabaiana, na região Agreste da menor Unidade Federativa do país. O reconhecimento nacional foi embasado no volume de Projetos de Lei, medidas provisórias e propostas de emenda à Constituição de sua autoria que tramitaram na Câmara e no Senado, além da elevada constância participativa nas sessões ordinárias, extraordinárias e nas comissõesparlamentares em que foi integrante e/ou presidente. No Sergipe, Eduardo Amorim surge como o segundo deputado federal mais votado da história, e, até o presente momento, o senador líder neste ranking eleitoral.

“Nunca fui apegado ou doutrinado ao cronograma regimental. Sempre permaneci em Brasília por mais tempo, inclusive no período do recesso parlamentar. Independentemente da bandeira partidária ou ideológica, estreitei diálogo com todos os prefeitos e prefeitas do meu estado e estive pronto para votar naquilo que fosse bom para o povo”, reconheceu. Sobre o título de ‘melhor Senador do Brasil – Selo nota 10’, concedido pelo Núcleo de Estudos sobre o Congresso (Necon), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (lesp-Uerj), em parceria com a Revista Veja, ele disse:

“consequência de muita dedicação dentro e fora do parlamento. Fiz questão de destinar emendas para todos os municípios do meu estado, e ouvir até mesmo os meus principais opositores; isso ocorreu com naturalidade, com a certeza que aquelas demandas eram direcionadas para o bem do povo.” Médico anestesiologista com atuação no Sistema Único de Saúde (SUS), Eduardo Amorim é pré-candidato ao Senado Federal pelo Republicanos – partido presidido por Marcos Pereira, o qual se encontrou pessoalmente na capital federal no dia 24 de fevereiro deste ano. As principais pautas defendidas por Eduardo foram [e são]: qualificação do SUS, reforma tributária, Educação, melhoria do sistema de Segurança Pública, investimento em tecnologia e geração de emprego.

A retrospectiva dos senadores com maior pontuação no decorrer dos últimos anos indica que em 2025 o senador Efraim Filho (União-PB), foi eleito o melhor senador do Brasil, com 8,28 pontos na avaliação geral. Já na Câmara dos Deputados Marcel van Hattem (NOVO-RS), foi eleito o melhor parlamentar ao atingir a nota 8,61; já nos anos de 2023 e 2024, com avaliação abaixo do dígito nove, Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito o melhor senador do Brasil ao defender e dar voz à população pobre, preta, parda, indígena, quilombola e LGBTQUIA+.

A apreciação das atividades no Congresso Nacional tem como principais objetivos fortalecer a democracia, estimular a cidadania, avaliar o desempenho de deputados e senadores, além de valorizar aqueles que melhor representam a população. “Esse reconhecimento é muito importante para nos estimular a ir além e continuar lutando por um país melhor; este tipo de reconhecimento é o que me faz continuar lutando por um país mais justo, fraterno, plural e igualitário para todos e todas. Este reconhecimento dividocom todos que contribuem para a construção desse trabalho; nosso mandato é participativo”, defendeu.

Momento único – O ano de 2014 também foi o último a apresentar dois deputados federais com nota máxima no quesito excelência parlamentar. O mesmo estudo desenvolvido pela Universidade do Rio de Janeiro em parceria com a Revista Veja, indicou os deputados: Antônio Imbassay (BA), e Marcus Pestana (MG), ambos então filiados ao PSDB, como os melhores deputados daquela legislatura.