O avanço da verticalização em comunidades da Zona Sul do Rio de Janeiro tem gerado preocupação entre arquitetos e urbanistas. Em regiões como o Vidigal e a Chácara do Céu, construções irregulares que chegam a sete ou oito andares já fazem parte da paisagem, evidenciando a falta de fiscalização e planejamento urbano adequado.

De acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, o crescimento desordenado dessas edificações representa riscos significativos. Entre os principais problemas estão a fragilidade estrutural dos imóveis, a sobrecarga de redes de água, esgoto e energia, além dos impactos diretos na qualidade de vida dos moradores.
O presidente do conselho, Sydnei Menezes, destaca que já existem instrumentos legais capazes de orientar o desenvolvimento dessas áreas. Um dos principais é a Área Especial de Interesse Social (AEIS), prevista nos planos diretores municipais. Segundo ele, esse mecanismo reconhece oficialmente comunidades consolidadas — desde que não estejam em áreas de risco ou de proteção ambiental — e estabelece limites territoriais definidos por lei.
A partir dessa delimitação, é possível implementar uma segunda etapa considerada essencial: a definição de parâmetros urbanísticos específicos para cada localidade. Diferentemente das regras aplicadas à cidade formal, essas normas levam em conta as particularidades das comunidades, estabelecendo critérios como altura máxima das construções, taxa de ocupação e distanciamento entre edificações.
Apesar da existência dessas soluções técnicas e legais, a aplicação ainda enfrenta obstáculos. A ausência de políticas públicas consistentes e de presença efetiva do poder público contribui para a continuidade da expansão irregular.
Como alternativa, o CAU/RJ propõe a retomada de iniciativas como os antigos Postos de Orientação Urbanística e Social (Pouso), implementados em gestões anteriores da prefeitura. A ideia é instalar escritórios avançados dentro das comunidades, com equipes formadas por arquitetos, engenheiros, urbanistas e assistentes sociais.
Esses postos teriam como função orientar moradores, emitir licenças para obras e monitorar o crescimento das construções, promovendo um desenvolvimento urbano mais seguro e organizado. Para especialistas, a medida pode representar um passo importante para equilibrar o crescimento das comunidades com a garantia de segurança e dignidade.

