Implementação de IA sem suporte emocional pode disparar ‘efeito rebote’ nas empresas e obriga lideranças a humanizarem a gestão para segurar a nova força de trabalho.
A ‘corrida armamentista’ por sistemas de ‘inteligência artificial’ parece ter encontrado um impasse com a Geração Z. Considerada a “maior geração da história”, segundo o Fórum Econômico Mundial (WEF), a entrada de um bilhão de jovens talentos nos próximos anos no mercado de trabalho pode impor desafios às lideranças.

O impasse foi apresentado no relatório ‘Vozes da Geração Z: o paradoxo da IA’, estudo apresentado pela Walton Family Foundation, GSV Ventures e Gallup. Dados da pesquisa mostram que 48% dos jovens da GenZ acreditam que as “skills” (habilidades) relacionadas à IA são necessárias para futuras carreiras. No entanto, a carga de emoções negativas, desenvolvidas com o manejo das ferramentas, pode se transformar em dores de cabeça futuras e afetar equipes a longo prazo.
Restando em média quatro anos para que as projeções da WEF se cumpram e 58% da força global do trabalho seja assinada pela Geração Z, a mudança mensurável no sentimento dos jovens em relação à IA deve provocar modificações na configuração do trabalho ao redor do Brasil e do mundo.
E qual é o fator decisivo para a integração tecnológica nas organizações?
Se por um lado, 16% dos profissionais brasileiros dizem ser recompensados pela IA na geração de resultados, segundo dados do ‘Work Trend Index 2026’, da Microsoft, o cenário global se prepara para uma avalanche contrária: o entusiasmo com as IAs caiu recentemente 14 pontos percentuais, enquanto o sentimento de raiva aumentou nove pontos, no comparativo com a pesquisa ‘Vozes da Geração Z: o paradoxo da IA’
Segundo Darwin Grein, CEO da Juntxs, a implementação acelerada de sistemas de IA nas empresas, sem o devido cuidado, pode escancarar problemas de gestão já existentes. Sem um foco equivalente no desenvolvimento emocional das equipes, as ferramentas de produtividade podem gerar um “efeito rebote”, sobrecarregando os colaboradores e gerando um ciclo de ansiedade, sobretudo nas novas gerações.
“Para a Geração Z, que entra no mercado sob uma pressão de performance inédita, focar na alta produtividade, em detrimento da sustentabilidade emocional, pode resultar em distanciamento entre o colaborador e o propósito da organização. O diferencial estratégico para os próximos anos não será a ferramenta em si, mas a capacidade das lideranças de sustentar vínculos reais e investir no desenvolvimento desses grupos, em paralelo ao avanço da tecnologia. Resultados sustentáveis nascem de relações conscientes. Sem isso, a tecnologia pode ser apenas o motor de uma exaustão coletiva”, elucida.
Atuando há mais de quinze anos com desenvolvimento humano e organizacional, o especialista aposta em processos estruturados de Team Building como uma das estratégias para construir ambientes emocionalmente mais saudáveis e a sustentação de resultados de negócios.
“O colaborador, quando ocupa um espaço de confiança, sente-se seguro para ser e estar, o que permite que ele contribua com seu potencial máximo. Na prática, o que chamamos de ‘team building de verdade’ não é entretenimento; é uma ferramenta para fechar o ‘gap’ (diferença) entre o potencial da equipe e o que ela realmente entrega. Quando o grupo amadurece emocionalmente, ele para de competir internamente e passa a colaborar estrategicamente, permitindo que a tecnologia seja um suporte para decisões mais críticas e criativas, e não um substituto para a inteligência coletiva”, conclui.
E como conciliar a colisão entre dois mundos?
O principal choque entre a Geração Z e líderes sêniores, como o caso da Geração X, apontada como a “idade média” entre CEOs da Fortune 500, será articular linhas de raciocínio para um mesmo direcionamento.
Isso ocorre em um momento em que 94% das empresas colocam a IA entre suas principais pautas corporativas, segundo levantamento da AI Lighthouse Awards. Ao mesmo tempo, a confiança da GenZ na eficiência de tarefas realizadas com apoio de IA caiu dez pontos percentuais, chegando a 56%, de acordo com o estudo Vozes da Geração Z.
Nesse sentido, Darwin Grein aponta a preparação das organizações e o fortalecimento dos vínculos como essencial para as mudanças que estão por vir no mercado de trabalho. “Um dos papeis fundamentais da educação corporativa neste novo ciclo é trabalhar emocionalmente as lideranças para que saibam mediar esse encontro entre diferentes gerações e tecnologias. O sucesso da integração tecnológica depende, obrigatoriamente, da qualidade da integração humana”, conclui.

