Apendicite pode evoluir para perfuração intestinal e infecção generalizada se não for tratada

Caso da cantora Bonnie Tyler chama atenção para os riscos da demora no diagnóstico e no tratamento da inflamação do apêndice.

Bonnie Tyler morre aos 75 anos; cantora de Total Eclipse of the Heart |  Gshow

A morte da cantora Bonnie Tyler, aos 75 anos, voltou a chamar atenção para uma complicação grave da apendicite. A artista morreu na quarta-feira (8), após passar cerca de dois meses internada em um hospital de Faro, em Portugal. Ela havia sido submetida a uma cirurgia de emergência depois que o apêndice se rompeu, provocando uma infecção grave que evoluiu para perfuração intestinal.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, Bonnie Tyler começou a sentir fortes dores abdominais em abril. Inicialmente atendida em um hospital particular, ela foi transferida para outra unidade, onde exames confirmaram a ruptura do apêndice. Após a cirurgia, a cantora foi colocada em coma induzido e chegou a sofrer uma parada cardiorrespiratória durante o processo de retirada da sedação. Ela permaneceu internada em estado grave até a morte.

De acordo com o cirurgião geral e oncológico Arnaldo Urbano Ruiz, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, a apendicite é uma inflamação causada por infecção no apêndice, um pequeno órgão ligado ao intestino grosso que participa da resposta imunológica do organismo.

Quando o tratamento não é realizado a tempo, a inflamação faz com que o apêndice aumente de tamanho até se romper. Com isso, bactérias e conteúdo intestinal podem se espalhar pela cavidade abdominal, desencadeando um quadro conhecido como perfuração intestinal.

O especialista explica que o próprio organismo tenta limitar a disseminação da infecção por meio de uma estrutura chamada grande epíploo, um tecido que envolve os órgãos da região abdominal. No entanto, essa barreira nem sempre consegue impedir a contaminação.

Quando as bactérias se espalham pelo abdômen, pode surgir uma inflamação intensa, conhecida como peritonite. Em casos mais graves, a infecção alcança a corrente sanguínea e evolui para sepse — também chamada de infecção generalizada —, uma condição que pode comprometer o funcionamento de vários órgãos e colocar a vida do paciente em risco.

Entre os principais sintomas da apendicite estão dor abdominal, geralmente iniciada na região próxima ao umbigo e depois concentrada no lado inferior direito do abdômen, além de febre, náuseas, vômitos, perda de apetite e dificuldade para caminhar devido à intensidade da dor.

Os especialistas alertam que procurar atendimento médico logo nos primeiros sintomas é a melhor forma de evitar complicações. Na maioria dos casos, quando diagnosticada precocemente, a apendicite é tratada com cirurgia para retirada do apêndice e apresenta boa recuperação.

O caso de Bonnie Tyler reforça a importância de não ignorar dores abdominais persistentes. Embora a evolução para perfuração intestinal e sepse seja mais comum quando há atraso no tratamento, o diagnóstico precoce reduz significativamente o risco de complicações graves.