Professores da rede pública do DF paralisam atividades nesta quarta-feira

Categoria cobra retomada das negociações com o GDF e protesta contra medidas adotadas nas escolas; sindicato fará ato pacífico em frente à Praça do Buriti.

Os professores da rede pública de ensino do Distrito Federal vão paralisar as atividades nesta quarta-feira (21), em uma mobilização organizada pelo Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF). A categoria reivindica a retomada das negociações com o Governo do Distrito Federal (GDF) e a discussão de questões relacionadas à gestão e ao funcionamento das unidades escolares. Como parte do movimento, o sindicato promoverá um ato pacífico nas proximidades da Praça do Buriti.

De acordo com o Sinpro-DF, entre os motivos da paralisação estão denúncias de desrespeito à gestão democrática, redução da autonomia pedagógica e restrições à atuação sindical nas escolas, incluindo a proibição de afixar cartazes da entidade. O sindicato também critica a interrupção das negociações com o GDF e a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF).

Segundo a representação dos professores, o governo está há mais de 20 dias sem manter diálogo com a categoria. Entre os assuntos que aguardam discussão estão o Calendário Escolar de 2027 e o Concurso de Remanejamento, que trata da movimentação dos profissionais entre unidades da rede pública.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, a diretora do Sinpro-DF, Márcia Gilda, afirmou que a categoria deseja participar das decisões que envolvem o cotidiano das escolas. Ela defende que os projetos de recuperação e as ações de intervenção pedagógica sejam debatidos com os profissionais da educação antes de serem implementados.

A dirigente também cobrou a criação de uma mesa permanente de negociação, com participação dos representantes dos professores e espaço para discussão das demandas da categoria. Conforme relatou, houve apenas um encontro com o atual secretário de Educação do DF, Thiago Peixoto. Depois da reunião, o sindicato encaminhou diversos ofícios, mas, segundo Márcia, não recebeu respostas.

Sindicato prepara ato em frente à Praça do Buriti

A mobilização desta quarta-feira terá caráter pacífico e pretende chamar a atenção do governo para as reivindicações dos profissionais da educação. Segundo Márcia Gilda, a programação contará com manifestações e momentos de debate, com o objetivo de pressionar pela reabertura das negociações.

O sindicato afirma que busca estabelecer um canal permanente de diálogo para que as decisões relacionadas à rede pública sejam discutidas com a participação dos trabalhadores da educação.

Governadora comenta paralisação

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, se pronunciou sobre a mobilização na manhã de terça-feira (20). Ela declarou que mantém disposição para dialogar com os professores, mas questionou a realização do protesto próximo ao segundo turno das eleições.

Celina reconheceu a legitimidade do ato e afirmou respeitar os profissionais da educação. Ao mesmo tempo, pediu que a mobilização não fosse politizada, argumentando que o período eleitoral poderia afetar a comunidade escolar.

Secretaria garante reposição das aulas

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação informou que a participação na paralisação é uma decisão individual de cada profissional. A pasta também assegurou que as aulas serão repostas e que a rede cumprirá os 200 dias letivos previstos, sem prejuízos à aprendizagem dos estudantes.

Além da paralisação desta quarta-feira (21), os alunos da rede pública ficarão sem aulas na sexta-feira (23), em razão da preparação das escolas para o segundo turno das eleições. A suspensão também se aplica às instituições privadas que funcionarão como locais de votação, conforme o Decreto nº 49.392, de 18 de setembro de 2026.

Com a mobilização, os professores buscam pressionar o governo a retomar as negociações e abrir espaço para discutir as reivindicações apresentadas pelo sindicato.