Planos apresentados incluem convocação de aprovados, novos concursos, redução de temporários e mudanças na ocupação de cargos comissionados

A recomposição do funcionalismo público aparece entre as propostas dos candidatos ao Governo do Distrito Federal nas eleições de 2026. Os planos apresentados por Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Ricardo Cappelli (PSB), Kiko Caputo (Novo) e Paula Belmonte (PSDB) apresentam diferenças sobre a forma de preencher vagas e reorganizar o quadro de pessoal.
As áreas de saúde e educação concentram parte significativa das propostas. Entre as medidas estão a convocação de candidatos aprovados em concursos ainda vigentes, a realização de novos certames e a substituição gradual de contratos temporários por servidores efetivos. Também há propostas para reduzir cargos comissionados e ampliar a participação de funcionários de carreira em funções de gestão.
Celina Leão
A atual governadora e candidata à reeleição defende uma reposição gradual dos servidores efetivos, considerando as necessidades específicas de cada órgão e os limites fiscais do Distrito Federal.
A proposta prevê acompanhamento permanente de aposentadorias, vacâncias e da quantidade de profissionais necessária em cada área. Esses dados seriam utilizados para definir novas seleções e convocações.
Na educação, Celina pretende reduzir progressivamente a dependência de professores temporários, ampliando a presença de concursados. Para a saúde, a candidata propõe mudanças nas carreiras, incluindo valorização salarial e reposição do quadro por meio de concursos.
José Roberto Arruda
José Roberto Arruda apresenta uma proposta mais imediata para as áreas de saúde e educação. O candidato afirma que pretende convocar, já no primeiro dia de governo, profissionais aprovados em concursos vigentes.
A posse dos convocados ocorreria, segundo o plano, simultaneamente à do governador.
Outra frente da proposta é a redução dos cargos em comissão. Arruda promete diminuir o número de postos de aproximadamente 27 mil para, no máximo, 8 mil, ampliando o espaço para servidores efetivos em funções de direção.
O candidato também prevê o programa Servidor Público Digital, voltado à capacitação dos funcionários em áreas como ferramentas digitais, análise de dados, inteligência artificial e inovação.
Leandro Grass
Leandro Grass propõe ampliar o quadro efetivo e reduzir a terceirização em atividades consideradas próprias do Estado.
Na saúde, o candidato afirma que pretende convocar imediatamente 5 mil enfermeiros aprovados em concursos vigentes. Também prevê concurso para especialistas em saúde diante de um déficit estimado em 4.166 profissionais distribuídos por 17 especialidades.
Para as forças de segurança, Grass defende um calendário permanente de concursos para Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. A estimativa apresentada pela campanha é de um déficit de 18 mil vagas.
Na educação, a proposta prevê concursos periódicos para professores e servidores da assistência à educação. No Sistema Único de Assistência Social (Suas), a ideia é recompor as equipes responsáveis pelo atendimento nos Cras e Creas.
O plano ainda inclui concurso específico para analistas da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF).
Ricardo Cappelli
Ricardo Cappelli coloca o planejamento do quadro de pessoal como etapa anterior à abertura de concursos. A proposta é identificar a necessidade de trabalhadores de cada área e verificar a capacidade financeira do DF antes de definir novas contratações.
Na saúde, o candidato promete chamar aprovados em concursos dentro do prazo de validade e abrir novas seleções quando houver necessidade, especialmente para médicos, enfermeiros e técnicos.
Na educação, Cappelli defende concursos e planejamento antecipado das reposições para diminuir a dependência de contratos temporários.
No Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), o candidato afirma que pretende retirar cerca de 800 indicados políticos de cargos comissionados. A proposta é manter e valorizar profissionais concursados e celetistas que atuam diretamente no atendimento.
Kiko Caputo
Kiko Caputo defende o fortalecimento das carreiras públicas e a redução do uso permanente de contratos temporários.
Para a educação, o candidato propõe convocar professores aprovados em concursos para ocupar vagas permanentes e restringir contratos temporários a situações de necessidade transitória.
No Iges-DF, a proposta é adotar processos seletivos públicos com provas e títulos para substituir indicações políticas por critérios de qualificação.
Caputo também se posiciona contra o uso da suspensão de concursos e do represamento de reajustes como instrumentos recorrentes de ajuste das contas públicas. Para o candidato, a administração depende da formação e da valorização dos servidores de carreira.
Paula Belmonte
Paula Belmonte propõe diminuir gradualmente a quantidade de professores temporários na rede pública e ampliar o quadro de concursados.
A campanha cita um contingente superior a 15,5 mil professores temporários ativos no DF e defende que a substituição seja feita progressivamente, com o argumento de garantir maior estabilidade às equipes e continuidade dos projetos pedagógicos.
Para os cargos comissionados, a candidata promete aplicar a Lei nº 4.858/2012, que estabelece regras para funções de confiança e cargos em comissão. Entre os pontos defendidos está a garantia de que pelo menos 50% dessas funções sejam ocupadas por servidores efetivos.
Estratégias diferentes para o mesmo problema
Embora os candidatos apresentem caminhos distintos, as propostas convergem em alguns pontos: a necessidade de recompor áreas com falta de profissionais e a discussão sobre o espaço ocupado por servidores efetivos, temporários e comissionados.
A principal diferença está no ritmo e no mecanismo defendido. Enquanto alguns candidatos prometem convocações imediatas de aprovados, outros condicionam novos concursos a estudos sobre a necessidade de pessoal e à situação fiscal do Distrito Federal.

