Na mesma semana em que um bar da Zona Sul do Rio foi autuado após expor uma placa barrando cidadãos dos Estados Unidos e de Israel, a vereadora Alana Passos (PL) levou à tribuna da Câmara do Rio, nesta quinta-feira (9), outro caso de exclusão ideológica travestida de “respeito à diversidade”. Desta vez, o alvo da crítica foi um bar inaugurado nas proximidades da USP, em São Paulo, que ganhou repercussão por restringir a entrada de pessoas heterossexuais.

No episódio do Rio, o bar foi denunciado após fixar uma placa informando que cidadãos dos EUA e de Israel “não eram bem-vindos”. O local acabou autuado pelo Procon carioca, recebeu multa de R$9.520 e ainda virou alvo de boletim de ocorrência e notícia-crime encaminhada ao Ministério Público. A denúncia apontou xenofobia, segregação e violação de princípios constitucionais básicos.
Foi nesse ambiente que Alana foi ao plenário denunciar o que chamou de dois pesos e duas medidas quando a discriminação muda de alvo. Vestindo uma camisa com a frase “100% hétero”, a vereadora afirmou, logo na abertura da fala: “Eu sou 100% hétero e eu tenho orgulho de dizer e de expressar isso”. E lançou: “Agora vamos criar o quê? A heterofobia?”
A parlamentar pontuou que o episódio de São Paulo não pode ser tratado como algo banal. Para ela, permitir que um estabelecimento funcione com base na exclusão de pessoas heterossexuais abre um precedente perigoso, porque normaliza a ideia de que discriminar pode ser aceitável quando a vítima não se encaixa na militância do momento.
No discurso, Alana foi direta ao apontar o risco dessa lógica. “Isso também abre uma precedência para se ter bares, restaurantes, padarias, diversos comércios, para que também não se permita a entrada de pessoas do movimento LGBTQIA+”, afirmou. A linha da vereadora foi clara: ou a regra vale para todos, ou o debate sobre respeito vira puro oportunismo ideológico.
A crítica atingiu a contradição cada vez mais visível no debate público: setores que discursam diariamente contra preconceito e intolerância são muitas vezes os mesmos que aplaudem exclusões quando elas recaem sobre héteros, conservadores, cristãos ou apoiadores de pautas à direita. Na prática, o que se vende como “espaço seguro” acaba funcionando como licença social para discriminar quem pensa diferente.
Na reta final, Alana cobrou que as autoridades de São Paulo tratem o caso com o mesmo rigor que costuma aparecer em outras situações de preconceito e mandou um recado direto aos defensores da chamada tolerância seletiva. “Depois não venham aqui gritar por discriminação, por preconceitos. Depois não vão falar de respeito. Porque o respeito é uma via de mão dupla”, afirmou.

