Cidoca e a força da mineiridade no humor contemporâneo

A personagem do Mineiro Paulo Guerra conecta o Brasil a Minas Gerais

A mineiridade sempre foi marcada por uma combinação rara: discrição, observação e inteligência estratégica. É nesse território simbólico que nasce Cidoca, a personagem criada pelo multi artista Paulo Guerra.

Mais do que uma caricatura regional, Cidoca representa a mulher de Minas Gerais que aprendeu a falar e entender muito. Ela carrega o olhar atento de quem cresceu ouvindo mais do que dizendo, mas que sabe exatamente o momento de se posicionar.

Ao criar Cidoca, Paulo Guerra amplia sua própria identidade artística. Se o humor dele já nasce da observação do cotidiano, a personagem surge como extensão dessa sensibilidade — agora sob a perspectiva feminina e mineira.
“Quando eu pensei no arquétipo da Cidoca, pensei numa mulher que não é nada boba, que tem uma vivencia mineira absurda. Ela comenta, é cirúrgica no que fala e faz”, comenta Paulo.

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A mineiridade, nesse contexto, deixa de ser estereótipo e se transforma em linguagem: a pausa antes da resposta, a ironia suave, o “uai” que carrega mais análise do que surpresa.

Ao associar sua trajetória à construção de Cidoca, Paulo reafirma um compromisso com um humor que nasce da identidade cultural e do comportamento social. A personagem dialoga com temas contemporâneos — autonomia feminina, relações afetivas, interesse, posicionamento — sem perder a raiz.

Sobre Paulo Guerra
O humorista de 35 anos, começou a ganhar visibilidade quando passou a gravar vídeos com Dona Conceição, sua avó — já falecida em 2022. “Minha avó era incrível, topava todas as minhas loucuras com os textos. Foi a partir daí que comecei a aplicar os estudos da faculdade de cinema na produção do meu conteúdo”, relembra.

Criador de personagens que misturam o humor popularesco com a sofisticação narrativa da dramaturgia e do cinema, Paulo desenvolve um trabalho autoral que une riso, afeto e crítica social através de figuras como Cidoca, Neuza e Mariza — mulheres populares que conquistaram milhões nas redes sociais e agora estão prontas para os palcos.

Sua comédia parte do cotidiano e é construída com linguagem refinada: roteiros com timing dramático, composição de cena precisa, direção de arte simbólica e um humor que acolhe e provoca. Com um olhar afetivo sobre as dores e delícias da vida adulta, da maternidade, da solidão e da amizade, Paulo Guerra cria uma comédia que não só faz rir, mas também faz lembrar. Rir com ele é revisitar a própria história.

Nas redes, Paulo já soma mais de dois milhões de seguidores — número que só cresce. No perfil @euoguerra, presente em todas as plataformas, o público encontra conteúdo leve, divertido e que transborda uma mineiridade única, cheia de afeto, humor e identidade.