Carnaval da Igualdade: Eduard Fernandes e Vivi de Assis exaltam empoderamento, diversidade e representatividade na folia

O Carnaval sempre foi um território de liberdade, expressão e resistência. Em 2026, essa essência ganha ainda mais força com iniciativas e personagens que transformam a festa em um verdadeiro manifesto pela igualdade. De um lado, o brilho e a criatividade do maquiador das celebridades Eduard Fernandes. Do outro, a potência e a representatividade de Viviane de Assis, a “Pequena Notável” da Unidos do Viradouro. Juntos, eles simbolizam um Carnaval que celebra a diversidade em todas as suas formas.

Referência em beleza artística no Rio de Janeiro, Eduard Fernandes aposta em maquiagens 3D, muito brilho, glitter, lantejoulas e composições que transformam rosto e corpo em telas de expressão. Mais do que estética, seu trabalho carrega discurso. Para o profissional, a maquiagem é uma linguagem de empoderamento.

Nascido em Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense, o hair stylist construiu uma trajetória sólida ao longo de mais de duas décadas, tornando-se responsável pela beleza de grandes nomes como Viviane Araújo, Carol Nakamura, Malu Mader, Sheila Mello, Aline Prado, Priscila Nocetti, Fabiana Andrade, Juliana Trevisol, atacante do Flamengo Pedro entre outras celebridades e personalidades do esporte e da cultura.

Dentro desse mesmo espírito de resistência e representatividade, brilha Viviane de Assis, conhecida como Vivi Assis ou “Pequena Notável”. Passista, modelo, atriz, palestrante e ativista, ela é um dos símbolos de inclusão no Carnaval carioca. Portadora de nanismo, Vivi mede cerca de 1,25m de altura e desfila há mais de uma década na Marquês de Sapucaí, sendo musa da Unidos do Viradouro desde 2026.

Sua presença na avenida ajudou a romper padrões históricos. Em 2015, ao tentar se inscrever no concurso de Rainha do Carnaval, foi impedida por um regulamento que exigia altura mínima de 1,60m. A partir de mobilização e apoio de ativistas e personalidades, a regra foi modificada, abrindo caminho para uma disputa mais justa e inclusiva.

“Preconceito eu sofro a cada dia da minha vida. Mas aí eu sambo, dou um sorriso e mando o preconceito embora”, resume Vivi.

Negra, mulher e sambista, Viviane usa o próprio corpo e a dança como ferramentas políticas, chamando atenção para o combate ao racismo, ao capacitismo e às desigualdades sociais. Em 2024, esse trabalho foi reconhecido com o Prêmio Conselheiro Ed Miranda de Cultura Negra, por sua contribuição ao Carnaval e à cultura brasileira.

A conexão entre Eduard Fernandes e Vivi de Assis traduz o espírito do Carnaval da igualdade: um encontro entre beleza, arte e propósito. Um Carnaval onde o brilho vai além da purpurina e se transforma em luz para iluminar causas, histórias e vozes que por muito tempo foram silenciadas.