Tratamento não invasivo, sem internação, é realizado com ondas de choque e, desde novembro do ano passado, já beneficiou 600 pacientes
Por Laezia Bezerra
No dia 20 de maio deste ano, o autônomo Edglei Gusmão Pereira, 62 anos, morador do Gama, estava em casa, quando foi surpreendido por uma dor intensa nos rins. Sem condições de andar, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. De lá, foi transferido para o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF).
Avaliado pela equipe de Urologia, descobriu vários cálculos renais e, após exames de tomografia, passou pelo procedimento com o equipamento de Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque (LECO). Considerado um grande avanço tecnológico para a capacidade assistencial na Urologia, o aparelho é utilizado para fragmentar as pedras sem necessidade de cirurgias.
A aquisição do LECO foi possível graças a uma emenda parlamentar em novembro do ano passado e desde então, o equipamento já ajudou a transformar a vida de mais de 600 pacientes, sem necessidade de internação, evitando a ocupação de leitos ou uso de recursos mais complexos.

Importante ferramenta
O chefe do serviço de Urologia do HBDF, médico urologista Bruno Pinheiro Silva, ressalta que o LECO diminui muito o risco de complicações. “É um procedimento seguro, eficaz, e com rápida recuperação. As ondas de choque atravessam a pele e atingem a pedra dentro do rim, que depois sai naturalmente pela urina, ao longo de dias ou semanas”, explica.
Bruno conta que o atendimento é realizado no próprio ambulatório de Urologia, que é administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). “Realizamos seis atendimentos por dia, de segunda a sexta-feira, com hora marcada, uma média de 150 casos por mês. Além desses, disponibilizamos 145 vagas de encaixes emergenciais para pacientes internados no Pronto-Socorro.
O processo todo dura cerca de 40 minutos e é realizado com sedação. “Dependendo do quadro, são necessárias mais de duas sessões para a retirada total dos cálculos, com intervalo de 20 a 30 dias entre as sessões”, explica o médico. Segundo ele, a expectativa é realizar 800 atendimentos com o equipamento até o final deste ano.

O enfermeiro do ambulatório de Urologia, Maurício Teixeira, reforça que o aparelho é indicado para a retirada de pedras de até 2 centímetros que causam desconforto, dor ou para atender pacientes com contraindicação cirúrgica ou que apresentam riscos de infecção e obstrução urinária.
“O tamanho e a localização do cálculo também são fatores relevantes para a realização da cirurgia. É importante destacar que as pedras são visualizadas por meio de ultrassonografia, raio X ou tomografia. Cálculos maiores ou em locais de difícil acesso podem exigir procedimentos cirúrgicos diferentes”, completa.
Na última quinta-feira (21), Edglei passou pela terceira sessão com o aparelho de LECO. Ele relembrou os momentos de dor e angústia quando teve a primeira crise. “Pensei que fosse morrer. Foram momentos desesperadores, sofri muito”, conta. “Hoje só tenho a agradecer à equipe do Hospital de Base pelo atendimento. A expectativa agora é a retirada total dos cálculos, para retomar minha vida como antes e voltar a trabalhar”, conclui.