Jardim Botânico de Brasília destaca riquezas do Cerrado durante mês dedicado ao bioma

Espaço no Lago Sul reúne visitação, pesquisa científica, conservação e educação ambiental em meio à biodiversidade do Cerrado

Foto: Divulgação

Setembro é um período de destaque para o Cerrado. Com a chegada da primavera e o fim gradual do período de seca, o bioma começa a ganhar novas cores, com o surgimento de flores, frutos e diferentes paisagens. Em Brasília, um dos locais onde é possível acompanhar de perto essa transformação é o Jardim Botânico de Brasília (JBB), no Lago Sul.

Em alusão ao Dia do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, o JBB reforça ao longo do mês a importância da conservação do bioma por meio de atividades que unem visitação pública, pesquisa científica e educação ambiental.

Na área aberta aos visitantes, o Jardim Botânico oferece contato com diferentes fitofisionomias do Cerrado, além de trilhas e espaços como o Jardim Sensorial, Jardim Japonês, Jardim Evolutivo, Jardim de Contemplação, Alameda das Nações, Espaço Ciência e trilhas interpretativas.

Durante setembro, espécies como cajuzinho-do-cerrado, cagaita, mangaba, ipês, pequi, jatobá e sucupira ganham destaque na paisagem. O período marca diferentes fases de floração e frutificação, fenômenos fundamentais para a dinâmica do bioma.

As flores atraem polinizadores, enquanto frutos e sementes servem de alimento para diversas espécies de animais e contribuem para a dispersão das plantas. Dessa forma, a mudança na paisagem representa também um importante ciclo ecológico que sustenta a biodiversidade do Cerrado.

Ciência a serviço da conservação

Parte das ações de preservação desenvolvidas pelo Jardim Botânico ocorre longe das áreas de visitação. É o caso do Herbário Ezechias Paulo Heringer (HEPH), que mantém uma coleção científica destinada ao registro e à preservação da flora do Cerrado.

O acervo reúne 38.824 exsicatas — exemplares de plantas coletados, preparados e preservados para estudos científicos — e registra 7.111 espécies distribuídas em 280 famílias botânicas. Em 2026, o herbário concluiu a instalação de novos armários deslizantes, aumentando a capacidade de armazenamento de aproximadamente 38 mil para até 52 mil amostras.

A pesquisa também contempla a fauna. No Laboratório de Fauna, pesquisadores acompanham espécies por meio de iniciativas como o monitoramento de borboletas e o uso de armadilhas fotográficas. Os registros permitem estudar a biodiversidade, os hábitos dos animais e as transformações ocorridas no ambiente.

Entre os animais registrados está o lobo-guará, espécie símbolo do Cerrado que também é estudada pela equipe em pesquisas relacionadas à alimentação e a aspectos parasitológicos.

Na área da flora, o Laboratório de Reprodução in vitro atua desde 2025 na multiplicação de espécies nativas do Cerrado, principalmente aquelas consideradas raras, endêmicas ou ameaçadas de extinção.

Criado em 2003 inicialmente para a reprodução de orquídeas, o laboratório passou a desenvolver também a produção de mudas de espécies do Cerrado. Parte das plantas é destinada à Coleção Científica de Plantas Vivas e outra parte pode ser utilizada em projetos de recuperação ambiental, inclusive em áreas da Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília.

Educação ambiental

A educação ambiental é outro eixo do trabalho desenvolvido pelo JBB. A instituição recebe escolas, instituições, projetos sociais e outros grupos em visitas pedagógicas acompanhadas por educadores ambientais.

Também existe a modalidade de acolhimento, na qual o grupo recebe orientações antes de realizar a visita de forma independente.

Em 2026, os atendimentos com educadores ambientais são realizados às terças e quintas-feiras, nos períodos da manhã e da tarde. As atividades são destinadas a grupos com no mínimo 10 pessoas, enquanto o limite máximo varia de acordo com a faixa etária dos participantes. O agendamento deve ser feito com antecedência mínima de 15 dias.

Para o diretor-presidente do JBB, Allan Freire, aproximar a população do bioma é uma das formas de estimular a conservação.

“O Mês do Cerrado é uma oportunidade para chamar atenção para um bioma que faz parte da vida de quem mora em Brasília. No Jardim, queremos que o visitante tenha contato com esse Cerrado, conheça a biodiversidade e saia daqui percebendo que preservar também é uma responsabilidade de todos, porque conhecer o bioma é um dos primeiros passos para compreender por que ele precisa ser protegido”, afirmou.

Serviço

O Jardim Botânico de Brasília funciona de terça-feira a domingo, inclusive nos feriados, das 9h às 17h.

A entrada custa R$ 5 por pessoa. Crianças de até 12 anos incompletos, pessoas com deficiência e maiores de 60 anos têm entrada gratuita.

Aos domingos e feriados, a entrada é gratuita para todos os visitantes.